quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
resenha Detritos Cósmicos - Fábio Massari para o IG POP
http://igpop.ig.com.br/lancamentos/2007/03/23/fabio_massaribrdetritos_cosmicos___zappa_725736.html
sexta-feira, 16 de março de 2007
BLUES - Robert Crumb
Robert Crumb, um dos ícones da contracultura norte-americana, nunca escondeu a influência que o blues e o jazz tiveram sobre sua obra. No álbum “BLUES” lançado agora no Brasil, sempre pela Conrad Editora, o quadrinista mostra seu lado documental, livremente inspirado nas fotografias de Walter Evans. “Blues” é uma obra quase didática, onde Crumb aborda com seu traço genial as heranças e origens do gênero musical que influenciou toda a música ocidental.
Na primeira história da série, chamada apenas "Patton", ele recria a trajetória de Charley Patton, um dos primeiros bluesmen do Delta do Mississipi, que, como tantos outros, não chegou a ser reconhecido pela história. Por ser encrenqueiro demais, na mesma proporção em que era habilidoso com o seu instrumento, Patton virou uma espécie de lenda entre os tocadores de blues mas nunca conseguiu a projeção de um Howlin` Wolf ou de um Bukka White. Entre garrafas de uísque barato e quebradeiras com suas namoradas, figuras legendárias como Robert Johnson e Jelly Roll Morton vão aparecendo, além da clássica cena na encruzilhada, onde o então aspirante a bluesmen, vende sua alma ao diabo pa ser capaz de executar "qualquer coisa que queira". Só lendo para saber.
Outro ótimo momento acontece quando o cartunista resolve transportar, frase por frase, velhas letras do blues, de clássicos da Motown e de uma versão alucinante de Purple Haze, de Jimmi Hendrix, para os quadrinhos. Brincando com o absurdo da poesia de algumas canções, tudo parece se tornar possível nas mãos do mestre Crumb.
O livro ainda traz muitos dos trabalhos que o desenhista realizou durante anos, motivados por sua paixão pelo blues. São capas de pequenos discos de 12 polegadas, os famosos Race Records, que Crumb sempre escutou para desenhar, e trazem clássicos da música negra americana dos anos 20 e 30. A famosa arte para a capa de "Cheap Thrills", feita para o segundo álbum da banda Big Brother & The Holding Company onde Janis Joplin estreava como cantora, também está aqui. E muitos cartazes feitos para sua própria banda, a "Cheap Suit Serenaders" que animava festinhas, casamentos, piqueniques e afins no final dos anos 70, com Crumb se apresentando no banjo.
Siga o exemplo indicado na primeira página - trilha sonora recomendada: Charley Patton - Yazoo, L-1020 - fique em casa no sábado a noite e divirta-se com "Blues", a homenagem de Robert Crumb às legendas da música negra norte-americana.
Resenha "Blues" de Robert Crumb . publicado originalmente no IGler
http://igeducacao.ig.com.br/igler/materias/244501-245000/244552/244552_1.html
Na primeira história da série, chamada apenas "Patton", ele recria a trajetória de Charley Patton, um dos primeiros bluesmen do Delta do Mississipi, que, como tantos outros, não chegou a ser reconhecido pela história. Por ser encrenqueiro demais, na mesma proporção em que era habilidoso com o seu instrumento, Patton virou uma espécie de lenda entre os tocadores de blues mas nunca conseguiu a projeção de um Howlin` Wolf ou de um Bukka White. Entre garrafas de uísque barato e quebradeiras com suas namoradas, figuras legendárias como Robert Johnson e Jelly Roll Morton vão aparecendo, além da clássica cena na encruzilhada, onde o então aspirante a bluesmen, vende sua alma ao diabo pa ser capaz de executar "qualquer coisa que queira". Só lendo para saber.
Outro ótimo momento acontece quando o cartunista resolve transportar, frase por frase, velhas letras do blues, de clássicos da Motown e de uma versão alucinante de Purple Haze, de Jimmi Hendrix, para os quadrinhos. Brincando com o absurdo da poesia de algumas canções, tudo parece se tornar possível nas mãos do mestre Crumb.
O livro ainda traz muitos dos trabalhos que o desenhista realizou durante anos, motivados por sua paixão pelo blues. São capas de pequenos discos de 12 polegadas, os famosos Race Records, que Crumb sempre escutou para desenhar, e trazem clássicos da música negra americana dos anos 20 e 30. A famosa arte para a capa de "Cheap Thrills", feita para o segundo álbum da banda Big Brother & The Holding Company onde Janis Joplin estreava como cantora, também está aqui. E muitos cartazes feitos para sua própria banda, a "Cheap Suit Serenaders" que animava festinhas, casamentos, piqueniques e afins no final dos anos 70, com Crumb se apresentando no banjo.
Siga o exemplo indicado na primeira página - trilha sonora recomendada: Charley Patton - Yazoo, L-1020 - fique em casa no sábado a noite e divirta-se com "Blues", a homenagem de Robert Crumb às legendas da música negra norte-americana.
Resenha "Blues" de Robert Crumb . publicado originalmente no IGler
http://igeducacao.ig.com.br/igler/materias/244501-245000/244552/244552_1.html
Dvds homenageiam quatro anos da morte de Akira Kurosawa
Akira Kurosawa estreou no cinema em 1942 e tornou-se o diretor japonês mais conhecido no ocidente, depois que "Rashomon" ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1951. Logo depois recebeu também um Leão de Prata por "Os sete Samurais", de 1954.
Apesar de tantos prêmios, Kurosawa sempre teve que conviver com um paradoxo em sua carreira: o de ser considerado japonês demais para o ocidente e japonês de menos aos olhos de seu país. Fascinado por Shakespeare, Dostoievski ou Jean Renoir, o diretor consegui trazer para sua obra um diálogo permanente entre esses dois mundos. Assim como ele bebia da fonte do Ocidente, seu cinema também influenciou muito Hollywood.
"Os sete Samurais", de 1954, foi confessadamente estruturado como um western de John Ford. Kurosawa via nos míticos guerreiros de seu país os desbravadores do oeste de Ford. A história se passa no século dezesseis. Sete Samurais e um líder, se colocam à disposição de camponeses para lutar contra bandidos que os atacavam. O samurai covarde que se torna corajoso e guerreiro, vivido por Toshiro Mifune, trasnformou-se num dos grandes personagens a retratar a defesa de Kurosawa pelos valores humanos e morais.
"Sete Samurais" teve enorme repercussão mundial. Tanto que não demorou para que a trama do filme fosse adaptada pelo diretor John Sturges e se transformasse em "Sete homens e um destino", em 1960. Kurosawa realmente sabia imprimir sua marca na performance dos atores. Em "Yojimbo", Toshiro Mifune mostra porque foi o Ronin preferido do cineasta. No total foram 16 anos de parceria.
Histórias sobre Ronin influenciaram muito a obra de Kurosawa. Ronin era um Samurai que não morava num lugar específico nem tinha mestre. Vagava de cidade em cidade e desafiava a ordem social das comunidades em que chegava. não era leal a ninguém, a não ser aos próprios sentimentos e convicções. Em "Sanjuro" , de 1962, o Ronin de "Yojimbo" retorna para mais uma vez combater outro clã de corruptos poderosos.
Em 1974, Kurosawa rodou na Sibéria o belíssimo "Derzu Uzala". Com esse elogio à vida natural, numa clara alusão aos riscos do progresso japonês, Kurosawa ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1976.
Mas seu verdadeiro testamento foi o épico "Ran" que denuncia a violência, apresentada como pico da estupidez humana na ânsia de atingir o poder por ambições desmedidas.
O perfeccionismo de Kurosawa estava ligado justamente ao fato do cineasta participar de praticamente todas as etapas do processo de realização do filme.
Escrevia os roteiros , ajudava na fotografia, na montagem e chegava a desenhar as caprichadíssimas cenas de batalha.
Na origem de Ran está o Rei Lear, de Shakespeare, que Kurosawa transpõe para o teatro Nô.
Ao longo de sua carreira, tanto nos filmes de época, quanto nos filmes que se desenrolaram no japão contemporâneo, o cinema de Kurosawa tratou sempre do desenvolvimento de uma consciência nos indivíduos. Em sua posição política,
estetica e ética se confundem.
Publicado originalmente no site do programa Metrópolis
http://www2.tvcultura.com.br/metropolis/recomenda/recomenda.asp?idrecomenda=18
Apesar de tantos prêmios, Kurosawa sempre teve que conviver com um paradoxo em sua carreira: o de ser considerado japonês demais para o ocidente e japonês de menos aos olhos de seu país. Fascinado por Shakespeare, Dostoievski ou Jean Renoir, o diretor consegui trazer para sua obra um diálogo permanente entre esses dois mundos. Assim como ele bebia da fonte do Ocidente, seu cinema também influenciou muito Hollywood.
"Os sete Samurais", de 1954, foi confessadamente estruturado como um western de John Ford. Kurosawa via nos míticos guerreiros de seu país os desbravadores do oeste de Ford. A história se passa no século dezesseis. Sete Samurais e um líder, se colocam à disposição de camponeses para lutar contra bandidos que os atacavam. O samurai covarde que se torna corajoso e guerreiro, vivido por Toshiro Mifune, trasnformou-se num dos grandes personagens a retratar a defesa de Kurosawa pelos valores humanos e morais.
"Sete Samurais" teve enorme repercussão mundial. Tanto que não demorou para que a trama do filme fosse adaptada pelo diretor John Sturges e se transformasse em "Sete homens e um destino", em 1960. Kurosawa realmente sabia imprimir sua marca na performance dos atores. Em "Yojimbo", Toshiro Mifune mostra porque foi o Ronin preferido do cineasta. No total foram 16 anos de parceria.
Histórias sobre Ronin influenciaram muito a obra de Kurosawa. Ronin era um Samurai que não morava num lugar específico nem tinha mestre. Vagava de cidade em cidade e desafiava a ordem social das comunidades em que chegava. não era leal a ninguém, a não ser aos próprios sentimentos e convicções. Em "Sanjuro" , de 1962, o Ronin de "Yojimbo" retorna para mais uma vez combater outro clã de corruptos poderosos.
Em 1974, Kurosawa rodou na Sibéria o belíssimo "Derzu Uzala". Com esse elogio à vida natural, numa clara alusão aos riscos do progresso japonês, Kurosawa ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1976.
Mas seu verdadeiro testamento foi o épico "Ran" que denuncia a violência, apresentada como pico da estupidez humana na ânsia de atingir o poder por ambições desmedidas.
O perfeccionismo de Kurosawa estava ligado justamente ao fato do cineasta participar de praticamente todas as etapas do processo de realização do filme.
Escrevia os roteiros , ajudava na fotografia, na montagem e chegava a desenhar as caprichadíssimas cenas de batalha.
Na origem de Ran está o Rei Lear, de Shakespeare, que Kurosawa transpõe para o teatro Nô.
Ao longo de sua carreira, tanto nos filmes de época, quanto nos filmes que se desenrolaram no japão contemporâneo, o cinema de Kurosawa tratou sempre do desenvolvimento de uma consciência nos indivíduos. Em sua posição política,
estetica e ética se confundem.
Publicado originalmente no site do programa Metrópolis
http://www2.tvcultura.com.br/metropolis/recomenda/recomenda.asp?idrecomenda=18
Peste
(...) Roteiro para a peste (...)
Relações com Prometeu: Prometeu rouba uma centelha do fogo dos deuses para dar aos homens (fogo: luz da alma, inteligência). Zack presenteia o cyber com a peste, maldição dos homens, funcionando como ponte entre estes dois universos.
Relações com a caixa de Pandora: A caixa de Pandora é um presente de Zeus que ao ser aberta liberta todas as calamidades e desgraças que até hoje atormentam os homens. A própria tecnologia é a cx de pandora, presente do Deus-homem, inebriante e sedutora por um lado, castradora e destrutiva por outro.
Relações com Icaro: Zack é consumido neste processo, assim como Icaro voando com suas asas derretidas em direção ao sol. A referência, aqui, é somente estética: asas, cera, calor, sol, mar e penas.
(...)
Cena 1: Zack anda por corredores de uma grande empresa asséptica. Veste paletó e gravata e está sozinho. Seus passos podem ser ouvidos a grande distância. Referências binárias flutuam na sua frente, sugerindo o hacker poderosíssimo que havia se tornado. Uma sirene de polícia desperta seu interesse e sugere um incômodo. Zack vendo sem procurado há meses, e será encontrado em breve.
Entrando numa sala ele se senta na frente de um grande terminal onde plugs cibernéticos o aguardam silenciosos. Então, Zack tem o primeiro surto.
Tira um tartex de seu bolso e através do cartão ele se vislumbra numa cama de hospital, cheio de tubos que o ligam a máquinas que sustentam o sopro de vida que lhe resta. Ele sua desesperadamente e pressente sua morte eminente.
Cena 2: Zack está sentado na cadeira agora, nu, com o corpo pintado como um índio e cheio de plugs. Tremores e suor tomam conta de seu corpo. Ele se concentra e começa a receber as mensagens, seu corpo convulsionando como um xamã cibernético. (...)AQUI entram as viagens com estruturas tridimensionais e com o lixo tecnológico que PUDERMOS recolher(...) Imagens de infância, de amores, do apocalipse e de um mundo dominado por máquinas que passeiam por seu corpo. Mensagens binárias e combinações numéricas também. O vírus é ativado na rede. Zack é consumido no processo, seu corpo pára de mexer acompanhando a batida de seu coração. As sirenes ficam mais perto e policiais invadem o recinto encontrando a cena final deste episódio: o grande terminal em caos e o corpo inerte do cyberxamã sem vida.
(...)
P.s. algumas frases são importantes pro entendimento. Elas podem ser usadas em vários momentos propícios no filme. “Presentear a maior criação do homem com sua maior maldição”(...)“O homem abortou sua percepção qdo criou o chip pra pensar por ele”(...)” Não sois máquinas! Homens é que sois!”
Roteiro livre para a série "Telepatia" de Daniel Seda
originalmente publicado aqui:
http://telepatia.castpost.com/about.html
Relações com Prometeu: Prometeu rouba uma centelha do fogo dos deuses para dar aos homens (fogo: luz da alma, inteligência). Zack presenteia o cyber com a peste, maldição dos homens, funcionando como ponte entre estes dois universos.
Relações com a caixa de Pandora: A caixa de Pandora é um presente de Zeus que ao ser aberta liberta todas as calamidades e desgraças que até hoje atormentam os homens. A própria tecnologia é a cx de pandora, presente do Deus-homem, inebriante e sedutora por um lado, castradora e destrutiva por outro.
Relações com Icaro: Zack é consumido neste processo, assim como Icaro voando com suas asas derretidas em direção ao sol. A referência, aqui, é somente estética: asas, cera, calor, sol, mar e penas.
(...)
Cena 1: Zack anda por corredores de uma grande empresa asséptica. Veste paletó e gravata e está sozinho. Seus passos podem ser ouvidos a grande distância. Referências binárias flutuam na sua frente, sugerindo o hacker poderosíssimo que havia se tornado. Uma sirene de polícia desperta seu interesse e sugere um incômodo. Zack vendo sem procurado há meses, e será encontrado em breve.
Entrando numa sala ele se senta na frente de um grande terminal onde plugs cibernéticos o aguardam silenciosos. Então, Zack tem o primeiro surto.
Tira um tartex de seu bolso e através do cartão ele se vislumbra numa cama de hospital, cheio de tubos que o ligam a máquinas que sustentam o sopro de vida que lhe resta. Ele sua desesperadamente e pressente sua morte eminente.
Cena 2: Zack está sentado na cadeira agora, nu, com o corpo pintado como um índio e cheio de plugs. Tremores e suor tomam conta de seu corpo. Ele se concentra e começa a receber as mensagens, seu corpo convulsionando como um xamã cibernético. (...)AQUI entram as viagens com estruturas tridimensionais e com o lixo tecnológico que PUDERMOS recolher(...) Imagens de infância, de amores, do apocalipse e de um mundo dominado por máquinas que passeiam por seu corpo. Mensagens binárias e combinações numéricas também. O vírus é ativado na rede. Zack é consumido no processo, seu corpo pára de mexer acompanhando a batida de seu coração. As sirenes ficam mais perto e policiais invadem o recinto encontrando a cena final deste episódio: o grande terminal em caos e o corpo inerte do cyberxamã sem vida.
(...)
P.s. algumas frases são importantes pro entendimento. Elas podem ser usadas em vários momentos propícios no filme. “Presentear a maior criação do homem com sua maior maldição”(...)“O homem abortou sua percepção qdo criou o chip pra pensar por ele”(...)” Não sois máquinas! Homens é que sois!”
Roteiro livre para a série "Telepatia" de Daniel Seda
originalmente publicado aqui:
http://telepatia.castpost.com/about.html
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